Walls Could Talk



Finalizada em: 22/02/2026.





“Fazem uns três dias e estou voltando, estou há quatro minutos de um ataque cardíaco. E acho que você me deixou maníaca. Mas você não sabe.”

Minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia segurar o telefone perto do ouvido esquerdo. Meu coração batia rápido, inconstante, seco dentro do peito. Um vazio, um oco, que reverbera dentro de mim, eu conseguia ouvi-lo batendo dentro da minha cabeça.
Rápido. Muito rápido.
Minhas extremidades formigam e eu já não as sinto mais, e uma leve dor no braço esquerdo começava.
E em silêncio do outro lado da linha. A respiração dele é calma, tranquila, leve.
Minha cabeça gritava possibilidades que eu não conseguia calar.
Pensei que talvez aquilo fosse sério demais — ou talvez fosse só eu, exagerando, enlouquecendo.
“Você me ouve, ?”
Um suspiro baixo, quase inaudível.
“Em casa a gente conversa.”
Tu-tu-tu

Pisquei meus olhos algumas vezes, sem conseguir acreditar que ele havia desligado.
Pelo menos iríamos conversar e ele não me daria um tratamento de silêncio como quase sempre acontecia nas nossas inúmeras brigas.
Quando cheguei ao apartamento que ele chamava de nosso, o encontrei sentado no sofá mexendo na TV com uma tranquilidade que me irritou profundamente.

Você é um imbecil! Eu poderia ter morrido, sabia?
— Mas está mais viva do que nunca, ! Eu estava me preparando para ir ao hospital quando você avisou que já havia ganhado alta.
— Eu quase dei um enfarte, por sua culpa. Eu estou ficando paranóica, maluca!

bufou alto e então se levantou do sofá. Os olhos pesados e quentes dele se encontraram com os meus e ele caminhou em minha direção.

— Você deve ter herdado alguma doença cardíaca da sua família. Vamos esperar os resultados do restante dos exames para ver. — Suas mãos alcançaram a minha bochecha. — Eu senti sua falta, .

O apelido carinhoso que só ele me chamava misturado ao quente da mão dele me tocando a bochecha, desmontou algo dentro de mim.
Nossos lábios se encostaram sem pudor, o beijo se aprofundando. Arfei, soltando um gemido fraco quando sua língua encostou-se na minha, lenta, como se estivesse testando meus limites. O beijo tinha gosto de saudade acumulada, de tudo que não foi dito nos últimos dias. Minhas mãos subiram quase por instinto, agarrando o tecido da camisa dele, como se eu precisasse de algo sólido para não desabar ali mesmo.
me puxou mais para perto, o corpo dele encaixando no meu com uma familiaridade perigosa. O beijo se aprofundou, mas não era apressado — era carregado, pesado, como se cada movimento fosse uma pergunta silenciosa: você ainda é minha? Meu coração disparou outra vez, não de medo, mas daquele tipo de ansiedade que vem quando se quer ficar e fugir ao mesmo tempo.
Afastei os lábios por um segundo, nossas respirações misturadas, a testa dele encostada na minha. O calor da mão ainda na minha bochecha contrastava com o nó que se formava no peito. Eu sabia que aquele beijo não era só desejo — era um pedido, uma tentativa desesperada de consertar algo que vinha rachando há tempo demais.
E, mesmo assim, eu correspondi.

🧱🧱🧱

— Dois anos e uns quebrados. Mas nós dois estamos aqui desde os dezessete. — Eu limpei algumas lágrimas que caiam quentes por minhas bochechas. — Aqui vamos nós, brigando numa limusine… Mas eles não sabem, não é ? Eles não sabem.

Minhas mãos agarraram o colarinho da camisa social branca que ele usava.

— Eles não sabem que você é a porra de um manipualdor cruel. Um traidor, infiel! Você é o pior ser humano que já conheci Lee , eu te odeio! — Vociferei com o rosto próximo ao dele.

As lágrimas já desciam, desesperadas. Meus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar desde que saímos do teatro.
A imagem de “idol perfeito” construída por ele nunca ruía. Eu nunca deixava. Ele devia muito a mim.
Minhas palavras ainda ecoavam entre nós quando ele segurou meus pulsos, não com força, mas com urgência. O olhar dele oscilou por um segundo — foi rápido, quase imperceptível — antes de descer para a minha boca. Não houve pedido, nem aviso. Ele me beijou como quem tenta calar um incêndio com o próprio corpo.
O beijo foi duro no começo, amargo. Nossos dentes se tocaram, desajeitados, como se nenhum dos dois soubesse mais a medida certa. Minhas lágrimas se misturaram ao gosto dele, e eu odiei o quanto meu corpo respondeu apesar de tudo. Apesar do ódio. Apesar da verdade.
Empurrei o peito dele uma vez, fraca demais para significar algo, e aproveitou a hesitação para me puxar de volta. O beijo perdeu a agressividade e ganhou peso — aquele tipo de peso que vem quando se beija alguém que conhece cada uma das suas fraquezas. Minha respiração falhou entre um toque e outro, o coração batendo rápido demais, confuso demais.
Quando nos afastamos, foi só o suficiente para respirar. A testa dele encostou na minha, e por um segundo eu quase esqueci tudo o que tinha dito. Quase.
Mas o gosto do beijo ainda estava ali, lembrando que amar alguém assim também é uma forma de se destruir.
O restante do caminho foi feito em silêncio, preenchido apenas pelos sons abafados que eu fazia quando o choro apertava demais o meu peito.
Ardia tudo em mim. Meu couro cabeludo, minhas têmporas, minha pele, meu corpo, meu coração.
Quando chegamos em casa eu já não chorava, mas a minha cabeça doia como nunca pelo choro.

— E nós dois esperamos que haja algo, mas nós dois nos confrontamos.

Joguei minha clutch no sofá e me joguei no mesmo, logo em seguida. Afundando meu corpo nele.

— E a discussão já está encerrada, . Vou me deitar, te espero.

E estou pensando: Caramba, se essas paredes pudessem falar… bem, elas diriam, que coisa louca, não é?

🧱🧱🧱

— Tem umas duas semanas que você se foi… Já bebi quase metade de um Cabernet. Aqui vou eu, desperdiçando meu sábado dentro de casa.

Eu estava destruída, definitivamente não havia palavra que me descrevesse melhor. havia entrado no meu apartamento depois de conseguir destrancar a porta com um grampo, habilidade que ele havia desenvolvido depois de eu ter me trancado no quarto com uma garrafa quebrada e ameaçado tirar minha própria vida quando o peguei na cama com uma das minhas melhores amigas.
A distância entre nós havia diminuído drasticamente sem que eu me desse conta. Eu não tinha forças para afastá-lo, e sinceramente eu nem queria.

— Falei pra minha nova colega de quarto não te deixar entrar, mas você tem habilidades com grampos. Agora vai me tocar como um violino, alcançando essas notas.

Ele não respondeu. Apenas encurtou o último centímetro entre nós. O beijo veio pesado, inevitável, como se tivesse sido ensaiado pelo silêncio dos últimos dias. Não houve delicadeza — houve reconhecimento. O tipo de beijo que sabe exatamente onde tocar porque já esteve ali antes.
Meus lábios cederam mesmo enquanto minha mente gritava para não ceder. A boca dele se moveu devagar, mas firme, como quem testa até onde ainda tem permissão. Meu fôlego falhou no meio do beijo, o ar escapando num suspiro involuntário, e foi aí que tudo desmoronou de vez.
Era um beijo que misturava saudade, culpa e necessidade. Que não pedia desculpa. Que não prometia nada. Só ficava ali, existindo, marcando território no lugar mais frágil de mim.
Quando ele se afastou, foi só o suficiente para me deixar sentindo falta.
E estou pensando: Caramba, se essas paredes pudessem falar… bem, elas diriam, que coisa louca, não é?



FIM!!!



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