Capa de Sunny Day

Sunny Day

Por: Li


e ensaiam pela décima vez, só naquele dia, a coreografia que criaram juntas para participarem da promoção. A banda que são fãs, , está completando 13 anos de existência e, para comemorar, convocaram os fãs a gravarem um vídeo comemorativo de aniversário. No vídeo poderia ter qualquer conteúdo criativo que tivesse a ver com o aniversário da banda.
As amigas pensaram numa coreografia engraçada e alguns dizeres, mas, antes disso, precisam sincronizar os passos.

! Se concentra! — reclamou com as mãos na cintura, foi pausar a câmera pela décima primeira vez.
— Desculpe, ! — falou , curvando o corpo em sinal de desculpas. Ajeitou os cabelos ao se levantar e suspirou com um ar cansado. As amigas ensaiavam há mais de duas horas sem parar, desde que chegaram do trabalho.
— Precisamos gravar hoje para dar tempo de editar! A promoção acaba…
— … amanhã! — completou — Eu sei! Vamos de novo! — animou-se ela.

deu play na câmera novamente e voltou a ficar ao lado de . Recomeçaram a coreografia e, para felicidade de ambas, deu certo. Finalmente! Ficaram tão felizes pelo feito que gritaram e se abraçaram ao fim, tão genuíno que decidiram deixar essa parte na edição do vídeo.
terminou de editar o vídeo e enviou para o e-mail da produção do . Agora era só esperar, a parte mais difícil.

[✨]


e têm 30 anos de idade e trabalham juntas na mesma empresa de tecnologia, a Seven. é programadora de jogos, enquanto é programadora especializada em sites, front e backend.
As duas trabalham normalmente hoje, desde que chegaram à empresa, elas não pararam para descansar em um só minuto. Hoje sairá o resultado da promoção.
É uma bela quarta-feira de outono, não faz tanto frio e o dia está ensolarado. levantou de sua cadeira e esticou o corpo, sentindo as costas estalarem.

— Quer café, ? — apesar de trabalharem em ramos diferentes, elas ficam em mesas vizinhas. Na Seven não há divisão de setores, cada programador senta onde se sentir mais à vontade para trabalhar.
— Quero sim, por favor, amiga — respondeu a moça sem tirar os olhos da tela de seu computador.

caminhou devagar pelo longo corredor entre as baias que separam as mesas. A baia onde está é bem na janela, onde pode trabalhar observando a bela vista da cidade. Ao chegar à copa, cumprimentou um colega com quem trocou algumas palavras descontraídas e se despediram minutos depois.
A moça pegou café para ela e para a e voltou com as duas xícaras cheias de café com leite para sua mesa. Fez o caminho de volta ainda mais lentamente do que na ida, aproveitando cada segundo de “descanso”.

— Divirta-se, amiga — disse ela ao deixar a xícara de na mesa, ao lado da mão dela.
— Obrigada, olhou para e sorriu agradecida.
— Disponha, meu amor.

sentou-se em sua cadeira e deu um gole em seu café, girou a cadeira devagar enquanto pensava. Uma hora dessas, já deve ter saído o resultado, né?, pensou ela olhando o relógio que tem em cima de sua mesa. Pegou o celular e desbloqueou a tela, o plano de fundo era uma foto do , sorriu involuntariamente ao ver a foto com os rapazes sorrindo. Abriu o instagram, por onde seria dado o resultado e logo viu que havia uma mensagem não lida. O coração disparou. Antes de abrir a mensagem, foi até o perfil da banda e viu que realmente eles já tinham dado o resultado.
Ela não sabia se abria a mensagem de uma vez ou se esperava mais. Tomou outro gole de café e abriu a mensagem olhando para o lado em seguida. Respirou fundo, nunca ficou tão nervosa na vida. Quer dizer, ela lembrou-se de um momento em específico que ficou bastante nervosa, um momento em seu passado no ensino médio e envolveu o . Mas, isso é uma outra história*.
Nota: *A história mencionada é contada em Hajime no Ippo, que conta a história de como a banda surgiu, ainda no colégio.

Espantando os pensamentos, concentrou-se em ler a mensagem. O coração cada vez mais acelerado.

Para @

Obrigado por entrar no concurso Instagram Happy Birthday do !
Estamos felizes em parabenizá-lo como vencedor deste concurso !!!
Você receberá mais instruções em breve sobre como proceder daqui para frente.
Os membros e a equipe do estão ansiosos para encontrar você e seu acompanhante nesse dia tão especial para todos nós.


ficou paralisada. Sentiu seu corpo gelar e as mãos tremerem, quase derrubou café em seu celular. Colocou a xícara na mesa e arrastou a cadeira até ao lado da cadeira da amiga que bebia um gole de café na hora. Sem dizer nada, apenas esticou a mão com o celular na direção dos olhos de Aimi. A outra olhou a tela do aparelho, ainda com a xícara na boca e leu o que está escrito. Deixou voltar um pouco de café ao terminar de ler e puxou o celular da mão de dela, lendo o conteúdo exibido.

!! A gente ganhou?! — tremia tanto quanto a amiga.
— Sim! Sim! Aimi, nós vamos passar um final de semana com eles! — abraçou a amiga e elas giraram abraçadas nas cadeiras.

O prêmio da promoção é passar um final de semana em uma casa alugada pela produção dos rapazes, lá irão gravar um clipe do single atual e haverá uma confraternização após para comemorar os 13 anos de banda.
As amigas mal conseguiram cumprir suas tarefas do dia de tão ansiosas que ficaram. O encontro seria somente no final de semana, mas ambas já imaginavam como seria. Principalmente a .

[✨]


Alguns dias passaram e as amigas não poderiam estar mais felizes.
O staff do havia entrado em contato com elas naquele mesmo dia do resultado da promoção para avisar que uma van as buscaria na sexta-feira à tarde para levá-las até a casa onde aconteceriam as gravações.

— Será que os rapazes já estão lá? — comentou bem baixinho no ouvido de . Ambas já estavam a caminho da casa. Aliás, mais quatro pessoas ganharam e também viajaram com elas.
— Provavelmente sim — sussurrou de volta —, por favor, comporte-se, está bem?
— Por quê? — disse a outra, ofendida.
— Porque você sempre fala demais!

era bem comunicativa, às vezes, isso fazia com que ela falasse muito, principalmente sobre a vida da amiga.
Não demorou muito e a van estacionou na garagem da casa onde ficariam. E é uma bela casa, parece ser espaçosa. Combina perfeitamente com o single alegre e os dias ensolarados que estão fazendo ultimamente. Ao entrarem nas dependências internas da casa, todos foram recepcionados pelo produtor responsável.

— Bem-vindos! Por favor, entrem e fiquem à vontade. — disse ele, muito educado e indicou um grande sofá e poltronas para todos se acomodarem na sala. Após sentarem-se, todos prestaram atenção nas palavras do produtor. — Olá, me chamo Fuyuki, sou produtor do e venho aqui, em nome de todos, dar-lhes as boas vindas! Obrigado por se participarem de nossa promoção e por estarem aqui neste dia especial para todos nós. — o rapaz ia falando e todos fielmente prestavam atenção, mas o que todos queriam saber só foi respondido ao final de sua fala — … os rapazes vão chegar mais tarde, então, enquanto isso fiquem à vontade para se instalarem em seus quartos. A Harumi — apontou para uma moça tímida que estava ao canto da sala — irá mostrar onde ficarão.

Ao finalizar sua fala, Fuyuki fez sinal para Harumi e a moça logo se prontificou a levar todos até os quartos. São três quartos: os dez vencedores se dividirão em dois deles e a banda ficará com o último. A ideia é fazer com que a experiência dessa comemoração seja a mais intensa possível e a mais divertida, como manda a música single deles.
As amigas se instalaram em um dos quartos com mais três pessoas. Logo todos fizeram amizade, contando casos de encontros que tiveram com a banda, rindo e cantando as músicas que mais gostavam. também tinha uma história muito boa para contar, mas talvez ninguém acreditasse, então preferiu ficar calada. A única que sabia era , sua eterna confidente.

[✨]


descia as escadas, tinha acabado de tomar banho e descia para jantar junto com todos. Ela olhava para tela de seu celular enquanto descia as escadas, distraída e nem notou direito onde pisava. O óbvio aconteceu e, ao pisar em falso, se viu caindo em câmera lenta e já se preparava para o impacto nos degraus da escada se não fossem os braços ágeis de um certo vocalista.

— Você está bem? — questionou a voz de para a moça. Trêmula pela situação e pela presença dele, se viu ainda mais nervosa por a estar segurando em seus braços. Ela ficou sem reação, o rapaz a encarava com seus olhos castanhos tão bonitos e vívidos.
!

A dona de uma voz feminina vinha subindo as escadas e parou às costas de , as mãos dela o agarraram pelo peito em um abraço. imediatamente saiu do abraço de e se endireitou na escada, de pé e desceu as escadas sem dizer nada, de cabeça baixa.

— Quem era? — questionou a moça com o queixo repousado no ombro dele.
— Não sei, mas ela quase caiu. Ia se machucar feio se eu não tivesse chegado… — o dedo da moça em sua boca o calou, a moça o virou para frente.
— Você é um herói, lindinho! — a voz fina dela soou pelos ouvidos de e beijou-lhes os lábios.

Após retribuir ao beijo, puxou a moça para descer com ele.
A barulheira de pessoas conversando na sala de jantar indicava que já estavam todos lá. O jantar foi servido e fez-se silêncio, todos agradeceram e começaram a comer. e estavam sentadas uma do lado da outra, comendo e evitando olhar para o lado oposto da mesa. , às vezes, olhava discretamente na direção de . Ele estava sentado ao lado da namorada, Ayumi, e de seu amigo e companheiro de banda .
Após o agradável e saboroso jantar, todos foram para a sala principal, onde se encontraram pela primeira vez, para conversarem com a banda. Todos se apresentaram dizendo seus nomes, idade, o que fazem da vida e como conheceram a banda, coisas desse tipo. Na vez da , ela ficou muito nervosa, mas conseguiu falar. Omitiu apenas um detalhe, mas isso não vem ao caso agora.
O sábado chegou glorioso e ensolarado. A brisa fria da manhã não espantou a animação de todos para a gravação do clipe que será essa tarde. Logo cedo, todos tomavam café, incluindo a banda, quando o diretor do clipe aparece para falar com eles.

— Bom dia! — disse o diretor.
— Bom dia!!! — todos disseram em uníssono, muito animados.
— Hoje vamos começar a gravar a primeira parte do clipe na área externa da casa e algumas cenas com a banda na área interna. — começou explicando — Espero que estejam dispostos a trabalhar hoje, hein! — concluiu animado.
— SIM!! — todos gritaram em resposta, fora de ordem. Houve uma explosão de gritos.
— Vamos começar por qual cena, senhor Diretor? — questionou , após engolir um pedaço de mamão que ele deixou para comer por último. Ele gosta muito de mamão.
— A sua cena, meu querido protagonista! — exclamou o diretor de forma bastante caricata. levantou-se e deu um pulinho, batendo palmas.
— Vamos, então! Estou pronto!

seguiu com o diretor e seus assistentes até a parte dos quartos onde já haviam preparado um dos cenários do clipe.
e já tinham acabado a refeição e foram escovar os dentes. Após isso, se juntaram aos demais fãs para algumas instruções de um dos assistentes do diretor. A participação dos fãs no clipe será simples: irão aparecer de figuração executando uma coreografia bem simples, que logo eles aprenderam, enquanto a banda toca a música.
Algumas horas de ensaio depois, e voltaram para o quarto, já estava no começo da tarde daquele dia ensolarado e as outras gravações com a banda já estavam encerrando. estava com as costas doloridas de tanto repetir a coreografia. Apesar de todos terem aprendido rápido, o diretor os viu ensaiando e mandou repetirem mais e mais vezes até realmente ficar bom aos olhos dele.

— Esse diretor é bem exigente — comentou uma das fãs que dividiam o quarto com as amigas —, estou com as costas doendo de tanto repetir a coreografia. — completou ela fazendo o movimento de estalar as costas.
— Ah, eu também! — disse com a voz abafada, pois estava deitada na cama com o rosto enfiado no travesseiro.
— Com licença — uma voz fina anunciou a chegada de mais alguém no quarto. A figura de Ayumi surgiu na porta.
— Por favor, entre, Ayumi-san — disse uma outra fã em tom de respeito. Ao ouvir a voz de Ayumi, ergueu o corpo dolorido e se pôs de pé.
— É daqui a garota que quase caiu da escada ontem? — disse ao passar olhar por todas, só havia garotas naquele quarto, ao encontrar o semblante de , ela repousa o olhar sobre a moça. — Foi você! — exclamou ela, apontando o dedo para . As outras olhavam à tudo com confusão.
— Eu? — perguntou apontando para si mesma.
— Você! — Ayumi marchou até ela e empurrou o dedo no ombro de — Fique longe do ! Eu vi você se jogando de propósito em cima dela ontem — acusou ela. Ouviu-se o som de surpresa das demais garotas, menos de que sabia perfeitamente da história.
— Não foi isso, eu realmente caí da escada! — defendeu-se .
— Verdade, a -chan caiu da escada mesmo, mas o -san a ajudou, eu vi na hora — lembrou-se uma das garotas, em defesa de .
— Viu?! Eu não dei em cima dele, nunca faria isso! — completou , assustada com a reação de Ayumi. não queria brigar, não era de seu feitio, ainda mais com a namorada do .
— Fique longe dele! — Ayumi alertou e de repente, outra coisa chamou atenção dela. O porta-retrato que havia na escrivaninha perto da cama que dormia. — Que foto é essa?! — na foto havia os rapazes do mais novos, certamente na época de colégio.

Antes de explicar, Ayumi foi tomada por uma raiva tremenda e pegou o porta-retrato e jogou contra parede mais próxima. Isso gerou gritos de espanto de todas. Ayumi deu a volta na cama, pegou a foto e viu a continuação dela, a foto estava dobrada e ao desdobrá-la foi revelado o quinto integrante da imagem. Com ainda mais raiva, Ayumi rasga a foto em vários pedaços. Ouviu-se dessa vez os gritos desesperados de e a imagem da moça saltando à cama para tentar salvar sua preciosa foto, mas era tarde demais.

[✨]


pediu para as colegas de quarto deixarem ela e a à sós. Ayumi já havia saído há alguns minutos e continuava chorando em cima da cama com os pedaços da foto nas mãos.

— Quer um copo d’água, ? — questionou , mas não respondeu com nenhum gesto ou palavra. — Vou lá buscar, já volto. — sem resposta da amiga, desceu e foi buscar água de qualquer forma.

Li ficou paralisada, olhando os pedaços do que há alguns minutos era seu maior tesouro, a foto que ela guardava com tanto carinho e nostalgia, agora estava destruída, não tinha mais volta.
Distraída, Li não reparou que Aimi havia saído do quarto, só percebeu quando levantou a cabeça para olhar para a porta. Alguém havia batido.

? — o rapaz alto estava parado à porta e logo notou que chorava, ao ver o rosto inchado da moça.
— Posso entrar? — questionou ele, assentiu e então ele entrou no quarto. O rapaz aproximou-se e indicou a cama com um gesto de cabeça, perguntando se ele podia se sentar. assentiu novamente e sentou-se, pegando um dos pedacinhos da foto. — Aconteceu algo?
— Meu… meu porta-retrato quebrou e...
— Não me diga que a foto se rasgou sozinha? — brincou e riu em seguida, mas ela não esboçou nenhum sorriso. — Hey, qual seu nome? — ele ergueu o queixo da moça com a mão e lhe fitou os olhos. não conseguiu ficar nem meio segundo olhando para , logo desviou o olhar. — Desculpe. — sem graça, o rapaz pigarreou e soltou o rosto dela.
— Está tudo bem, — sussurrou ela.
— Você é a única que me chama somente de … — disse ele, curioso. Todos os fãs o trataram como “-san”, mas era a única que o chamava apenas de , com intimidade. Isso logo chamou a atenção do rapaz.
— Me desculpe a falta de respeito, -san! — tratou-se de se redimir.
— Não, pode me chamar somente de . — ele deu um sorriso fofo que fez olhar diretamente para ele pela primeira vez. De repente, um outro pedacinho da foto chamou a atenção do rapaz — Esse é o — disse ele ao reconhecer o amigo, mais novo —, bem mais novo, é claro, mas é o — completou ele, rindo. — Me lembro desse dia, foi o primeiro show que fizemos como , ainda no colégio, em um festival de talentos. Onde conseguiu…

Antes de concluir a pergunta, viu um outro pedaço da foto que revelava o rosto de uma outra pessoa que não fazia parte da banda. Naquele dia, após o show, ele se lembra de ter tirado foto com vários colegas de colégio que aguardaram ele e os amigos saírem só para tirar uma foto. reconheceu na hora quem era aquela garota tímida que aquele pedacinho de foto mostrava.

-chan!? — emocionado, disse e sentiu o corpo gelar.
— Você me reconheceu, afinal — ela disse, muito mais tímida que o normal. sentia o coração quase lhe saltar pela boca. Como que ele não a reconheceu antes?
— Por que não… por que não disse que era você? — a voz falha do rapaz quase inaudível fez se questionar o mesmo: ela poderia ter dito apenas para ele quem ela era, mas acha que lhe faltou coragem de confessar. Havia tanta coisa para ela confessar para ele.
— Me desculpe, , eu… não tive coragem de dizer — ela também tinha a voz falha pela vontade de chorar que lhe surgiu novamente.
— É muito bom te ver novamente, -chan — de repente, abraçou e a moça não teve reação imediata, segundos após ela conseguiu reagir a abraçar ele. O cheiro bom que ele exalava anestesiava a moça.

estava tão feliz em reencontrá-la que nem se importou se seriam ou não flagrados naquela situação. Ele só queria expressar a saudade que sentiu e a vontade reprimida por anos que ele finalmente expunha. Tomado pela coragem da surpresa em encontrá-la, afastou-se um pouco dela e segurou seu rosto com as mãos, sussurrando o nome dela, ele aproximou seu rosto da moça e a beijou.
Após beijar , sentiu-se invasivo demais, pediu desculpas pelo que fez e saiu do quarto a deixando sozinha novamente. mal pôde acreditar que ele havia a beijado. Rezou para que ninguém tenha passado de relance pelo quarto e visto a cena.
se recuperou do susto e disfarçou na presença da que já havia voltado com a água dela. Ela notou que havia mais alguma coisa errada com a amiga, mas disfarçou e mudou de assunto. Desconfiada, obrigou a amiga a contar, sem ter muito para onde escapar, contou tudo que houve. A outra quase teve um ataque.

— ELE TE BEIJOU?! — berrou ela, abismada.
!! Pelo amor de Deus, cala a boca! — gritou irritada.
— Ai, desculpa amiga — voltou a se sentar e arregalou os olhos para , curiosa — Me conta com detalhes, pelo amor de Deus.
, foi um beijo. Que detalhes quer que eu conte? — questionou , impaciente.
— Todos os possíveis, amiga! Ele finalmente reconheceu você e do nada te beija! Meu Deus, isso é destino, ! — concluiu, empolgada.
— Destino ou não, eu não posso ficar com ele. tem namorada, esqueceu? — essa última frase foi sussurrada por .
— Ai, aquela doida… ela não merece ficar com ele, você é muito mais legal.
— Isso não é decidido por você, né amiga?! — disse , rindo.
— Infelizmente. — fez um bico com os lábios, retorcendo-os.

Ambas foram interrompidas por uma de suas colegas de quarto que foi avisar que o diretor estava convocando todos para uma reunião. Desceram as escadas e, assim que colocaram o rosto na sala, ouviram o grito de alegria do diretor.

— É ELA! Venha aqui, minha querida — disse o diretor e aponta para uma das meninas, elas não sabiam de quem ele falava exatamente. — É você que está apontando para si mesma agora. — olhou para a própria mão apontando para si, o diretor falava dela.
— Eu? — ela disse, esganiçada.
— Sim! Venha cá, querida. Traga ela até aqui, Hiroki — disse ele para um de seus assistentes. Prontamente o rapaz caminhou até e a conduziu até mais próximo ao diretor, que estava no centro da sala, todos olhavam para com olhar de interrogação. O diretor ainda não tinha dado seu grande anúncio.
— Eu fiz algo errado, senhor? — disse ela bem baixinho. O diretor deu risada e deu leves tapinhas nas costas da moça.
— Não, na verdade você, e nosso querido protagonista, me deram uma grande ideia para o clipe. — só agora que reparou que também estava ao lado do diretor, com uma expressão tão confusa quanto a dela. — Bom, vou explicar de uma vez: o clipe agora terá uma história de um casal que vai ter um momento de vitória após passar por muitas dificuldades durante o clipe. É aí que vocês dois — puxou e para perto dele, os segurando pelos ombros — vão entrar. Quero que vocês repitam aquela mesma química que vi mais cedo lá no quarto. — de repente, fez-se silêncio. sentiu seu rosto esquentar e sentiu o mesmo. Estavam quase morrendo de vergonha.
— Como assim? — a voz de Ayumi se fez audível e quebrou o silêncio da sala — Que química teve entre eles dois? — a voz dela transmitia toda a raiva acumulada que a moça sentia. Fuzilava com os olhos.
— Senhor, é melhor não… — ia alertar ao diretor para que ficasse calado, mas era tarde demais.
— Estou falando do baita beijo que eles dois deram mais cedo. Foi algo cinematográfico, tanta emoção… quase chorei! — respondeu ele, emocionado e mais uma vez caricato.
Beijo? ?! — berrou Ayumi, já descontrolada.
— Ayumi, por favor, vamos conversar só nós dois — é um rapaz tranquilo, ao contrário de sua atual namorada que é bem explosiva e ciumenta.
— NÃO! Essa criatura tem o que que eu não tenho, ?! — bradou ela, chamando o rapaz pelo nome. respirou fundo e chegou mais perto da moça.
— Calma, Ayumi…
— Não encosta em mim, ! — Ayumi deu um tapa na mão de que logo recuou com os braços erguidos em rendição. — Você!! — enfurecida, Ayumi partiu para cima de .

Há meses que tenta convencer Ayumi de que o melhor para ambos é o término do namoro que já se arrastou por tempo demais. Já havia se desgastado há tempos. Porém, a moça sempre desconversa e o convence do contrário. Sempre quando Ayumi está desconfiada do vento que toca a pele de ou senão, o mais grave, das fãs que o tratam com um carinho excessivo, ocorrem cenas como a que aconteceu com como vítima.
Ayumi puxou pelos cabelos e foi arrastando para fora da casa. Tudo foi tão rápido, que ninguém pôde impedir. Quando viram, já era tarde demais. já estava caída por cima da mesa onde estava o bolo de aniversário do que seria usado na gravação externa que aconteceria daqui a pouco, essa parte da gravação o diretor havia antecipado, mas, pelo visto, terá que adiar novamente. Sentindo o ombro doer e uma vergonha tremenda, tentou levantar-se, mas não conseguiu apoio, seu ombro doía muito.
Em meio a gritaria de espanto e os gritos de Ayumi com , ouviu um chamado e ergueu a cabeça para ver quem era.

? — o rapaz estendeu a mão e ajudou a moça a levantar.
— Você está bem? — ficou preocupado com a confusão toda. Já havia alertado ao amigo diversas vezes sobre a possibilidade de realmente acontecer algo grave. Hoje, por pouco, não aconteceu. — Você não me é estranha… — comentou ele, intrigado ao ver a moça mais de perto.
— Eu… eu estudei com você no colégio e… e eu estava no festival que vocês tocaram — disse , muito tímida. fez uma expressão de quem se lembra de algo importante.
-chan! — lembrou-se ele, contente e deu um abraço rápido na moça. — Como você mudou, nossa, está muito bonita, -chan!
— O-Obrigada, sorriu fraco e agradeceu. — Ai… — resmungou ela com a mão no ombro esquerdo.
— Machucou, não foi? — perguntou ele, óbvio. assentiu com cara de dor. — Vem, vamos lá para dentro.

Além de estar com o ombro dolorido, estava toda suja de bolo. Os outros membros da banda se aproximaram de e e também se lembraram dela. Realmente ela estava diferente fisicamente do que era quando estavam no colégio. O que não mudou foi sua timidez e seus sentimentos pelo .
Por falar nele, caminhava para dentro da casa novamente e logo viu rodeada pelos amigos. Suspirou frustrado e envergonhado, sabia que estava machucada por causa de Ayumi e sentiu-se culpado por isso. Não era surpresa para também que seus amigos não gostavam dela e não os culpava por isso. Talvez se ele tivesse terminado com mais firmeza antes, nada disso tivesse acontecido.
puxou com cuidado e a levou até o quarto onde estava com o restante da banda. Ela sentou-se em uma das camas e aguardou o rapaz, que mexia em silêncio nas gavetas e portas do guarda-roupas e da mesa de cabeceira. Foi ao banheiro da suíte e ela ouviu apenas o barulho das portas dos armários sendo abertas e depois fechadas. Minutos depois, ele apareceu com um kit de primeiros-socorros. arregalou os olhos.

— Não precisa, ! Eu não estou machucada — disse ela, erguendo os braços e se arrependendo em seguida, pois sentiu seu ombro esquerdo reclamar em dor. — Ai…
— E esse “ai” foi o que, então? — disse , sarcástico. — Deixa eu cuidar desse ombro.

tirou uma pomada para dores musculares de dentro da caixinha e algumas ataduras. Examinou o ombro de , viu que não estava deslocado e nem quebrado. Bom sinal. Com cuidado, ele passou a pomada no local indicado por ela, onde doía mais. Após isso, ele imobilizou o braço para que não piorasse a dor. Ele fazia parte da equipe de socorristas do colégio onde estudou com , disso ela também lembra com precisão. O rapaz ainda se lembrava dos procedimentos a serem feitos para cada caso.
guardou as ataduras que sobraram e o remédio que usou dentro da caixa de primeiros-socorros e a guardou de volta no armário do banheiro. Ao voltar, sentou-se novamente na cama, de frente para , que o fitava muito sem jeito.

— Eu nem sei o que dizer — começou , envergonhado —, me desculpa por tudo. — ele suspirou, cansado.
, está tudo bem. — sorriu e segurou uma das mãos dele. Ele sorriu automaticamente.
— É bom estar com você de novo — não lembrava-se da última vez que viu o sorriso genuíno de de perto. É tão bonito e transmite uma paz tão grande à moça. tem vontade de vê-lo todo dia. — Se lembra de como éramos no colégio? — questionou ele, de repente.
— Sim — respondeu e sorriu.
— Você nem falava comigo direito e, quando falava, era cheia de formalidades — lembrou-se ele, soltando uma risada abafada. — “Ah, -san…”, odiava quando você me chamava assim. — ela sorriu sem jeito, mas não podia negar, sempre foi difícil para controlar seus sentimentos perto do . Chamá-lo pelo apelido era mais difícil ainda para ela, na época, então preferia chamá-lo mais formalmente, assim, podia manter as coisas de um jeito menos íntimo.
— Eu tinha vergonha de estar perto de você — confessou ela.
— Sério? Não notei — falou , sarcástico e o encarou de maneira debochada.
— Seu bobo! — deu um tapinha no braço dele, ambos riram. — … — ela ficou séria de repente — eu preciso confessar uma coisa que eu fiz anos atrás. — completou, sem graça. franziu o cenho, curioso e apreensivo ao mesmo tempo.
— O que você fez? — teve medo até de perguntar, mas sua curiosidade foi maior.
— Lembra do dia que você e os rapazes estavam na nossa sala, após as aulas, e vocês escolhiam nomes para a banda? — puxou pela memória e logo assentiu que “sim”. continuou: — Teve uma hora que vocês saíram da sala e… bom, eu entrei e deixei uma sugestão de nome no quadro… — antes de concluir sua fala, a interrompeu, muito surpreso.
— Você sugeriu o nome de nossa banda? — questionou ele, quase eufórico. assentiu e ele abriu um sorriso ainda mais largo e genuíno que o anterior. — Você é incrível, ! Nós nos perguntamos quem teria colocado aquele nome ali, sabíamos que não tinha sido nenhum de nós, mas… foi você!
— Não está bravo?
— Como eu ficaria bravo com você, ? — ele fez uma pergunta que para ele era retórica, mas quase respondeu. Antes, ele se apressou em falar — Impossível, . Você é adorável e muito legal para que fiquemos bravos com você — a moça suspirou aliviada e sorriu. Pareceu ter tirado um grande peso dos ombros.
— Tem mais uma coisa, … ela recomeçou — a falar, mas a interrompeu de novo. Ele estava tão feliz por poder conversar com de novo que precisava falar, antes que lhe faltasse coragem novamente.
, eu gosto de você! — surpresa, a moça engasgou-se com o ar e começou a tossir. — Está tudo bem, -chan? Meu Deus, me desculpe por te fazer engasgar — ele bateu de leve nas costas dela, que logo se recuperou da tosse, mas ainda estava em choque pela declaração dele. estava se declarando para ela!
— Hã?
— Eu gosto de você desde o colégio, -chan. Quando eu finalmente tinha tomado coragem para me confessar para você, infelizmente você sumiu do colégio. Ia ser durante a festa de encerramento que eu ia me declarar, mas você não apareceu. — recordou-se bem o motivo de não ter aparecido.
— Meu pai teve que se mudar para outra cidade, para um novo emprego e tínhamos que ir logo. Ah, eu queria ter ido à festa. — lamentou-se ela. sorriu de canto.
— Te garanto que a festa seria maravilhosa com sua presença lá — disse ele e segurou a outra mão da moça, notou que estava fria de nervosismo. — Você gosta de mim, -chan? — ela engoliu em seco e sorriu, não contendo mais sua emoção por tudo que estava acontecendo.
Gosto…

Não se contendo, soltou as mãos de e agarrou o rosto dela, beijando-lhe os lábios que ele tanto deseja há tantos anos. Ela retribuiu o beijo, também desejava tocar os lábios do rapaz por muito tempo. O desejo de ambos foi saciado naquele beijo apaixonado, trezes anos de espera valeram a pena. Ambos deitaram, ainda se beijando, na cama e deixaram seus corpos guiarem suas atitudes dali para frente.
Aquele dia ensolarado que começou glorioso e quente, terminou de forma ainda mais brilhante e aquecida com o calor dos corpos de e , que se desconectaram totalmente do mundo lá fora. Nada mais importava. Só a felicidade daquele momento juntos.

“Há quantas pessoas em seu coração?
Elas são a prova que você não está sozinha
Para que todas as pessoas se tornem felizes
Nós devemos cantar”

Sunny Day, LUCKLIFE

FIM!!!