“And you got me like, oh
What you want from me? (What you want from me?)
And I tried to buy your pretty heart
But the price too high”
— Eu já disse que você precisa parar de beber. Sabe que perde o controle de si mesma toda vez que bota nem que seja um miligrama de álcool na boca, parece que sou seu pai. Tenho que ficar vigiando você…
— Você é um chato de galocha , isso sim. Aqui não tem ninguém da imprensa. Me deixa.
Puxei meu braço que ele havia agarrado com leveza, e então comecei a andar com a garrafa de uísque nas mãos.
Mas é claro que ele viria atrás de mim.
— , vai se divertir! Estamos numa festa, não estamos nos estúdios da gravadora, onde você precisa ficar o tempo todo no meu pé.
— Definitivamente eu preciso ficar o tempo todo no seu pé, inclusive aqui.
Me virei, bruscamente, fazendo com que nossos corpos se chocassem com força. Senti suas mãos segurarem a minha cintura, me impedindo de ir de encontro ao chão. A garrafa de uísque intacta na minha mão.
Nossos olhares se encontraram, os meus famintos já. Os dele hesitantes.
“Baby, you got me like, oh, mmm
You love when I fall apart (fall apart)
So you can put me together
And throw me against the wall”
— Você é teimosa, caramba! Me faz perder a cabeça…
— Faço é? — A minha mão livre subiu pelas costas dele dentro da roupa social. — Você é o chefe , tem que manter a cabeça no lugar…
não respondeu. Pelo menos não com palavras.
Num segundo eu estava provocando, no outro fui virada de costas para a parede, o impacto firme o bastante para roubar meu fôlego, mas controlado demais para ser acidente. As mãos dele se apoiaram dos dois lados da minha cabeça, como se estivesse me prendendo ali — ou tentando se conter.
Meu coração disparou.
— Você faz isso de propósito… — ele murmurou, tão perto que a respiração dele misturava com a minha.
Sorri, ainda sentindo o gosto do uísque na boca, o caos vibrando sob a pele. Não respondi. Não precisava.
O beijo veio errado. Desajeitado. Nossos rostos se encontraram antes dos lábios, um choque apressado que denunciava o quanto nenhum dos dois estava pensando direito. Ri sem querer contra a boca dele, mas não riu de volta.
Ele hesitou.
Senti. Vi.
E foi isso que me fez puxá-lo de novo.
Dessa vez, quando nossos lábios se encontraram, não houve espaço para dúvidas. Foi rápido, urgente, como se estivéssemos tentando dizer tudo aquilo que passamos a noite inteira fingindo não sentir. Minhas costas ainda coladas à parede, o corpo dele perto demais, o mundo inteiro reduzido àquele instante torto e intenso.
Por um breve segundo, achei que ele ia se afastar.
Mas cedeu.
E naquele momento, ali no meio da festa, ficou claro que não era eu quem tinha perdido o controle.
Era nós dois.
“Baby, you got me like, I
Woo, I
Don't you stop loving me (loving me)
Don't quit loving me (loving me)
Just start loving me, ooh (loving me)”
Eu não lembro quem se moveu primeiro.
Só sei que, de repente, tudo estava errado demais para ser cuidadoso. O beijo veio forte, apressado, como se a gente estivesse brigando com a própria boca. Nossos dentes se chocaram, minha respiração falhou, e eu senti um riso nervoso escapar antes de ser engolido por ele.
Minhas mãos subiram sem pedir permissão, agarrando o tecido da roupa social dele como se fosse a única coisa me mantendo em pé. soltou um suspiro curto, quase um rosnado contido, e o beijo se quebrou por um segundo — só para voltar pior.
Mais urgente. Mais confuso.
Eu sentia o coração batendo alto demais, descompassado, e não sabia se era pelo álcool, pela música ou por ele estar tão perto que não havia espaço para pensar. A boca dele encontrava a minha sem ritmo, sem cuidado, como se estivesse tentando decidir se aquilo era um erro ou uma rendição.
— Droga… — ouvi ele murmurar contra meus lábios, mas não parecia um pedido para parar.
Minhas costas escorregaram um pouco pela parede, e ele me segurou de novo, firme demais para alguém que dizia querer controle. O beijo virou uma bagunça de respirações curtas, pausas quebradas e retomadas desesperadas, como se nenhum dos dois soubesse onde colocar as mãos ou o que fazer com tudo aquilo que estava sentindo.
Era caótico. Desalinhado. Necessário.
E, no meio daquela confusão toda, eu percebi — tarde demais — que não havia mais volta. Porque ninguém beija assim quando ainda está fingindo que não sente nada.
🧠🧠🧠
“And, babe
I'm fist-fighting with fire
Just to get close to you
Can we burn something, babe?
And I'd run for miles just to get a taste”
— Podemos fumar um? Só unzinho, !
Agarrei o colarinho de sua camisa social enquanto implorava por pelo menos um trago em algum cigarro ou charuto.
— Eu já deixei você beber, você ainda quer fumar?
— Estamos só nós dois aqui, na minha casa. Quem vai flagrar nós dois fumando um charuto, ?
— Eu! Eu vou flagrar nós dois fumando um charuto . E isso não é nada bom para sua imagem já desgastada.
— Você é o meu manager, porque não reconstruiu minha imagem até hoje?
Eu gargalhei enquanto caminhava até o grande painel da TV, abrindo algumas gavetas e pegando as caixas com os charutos.
bufou e eu não o via, mas sabia que ele havia cruzado os braços abaixo do peito.
— Você nunca me obedece, como eu posso reconstruir sua imagem?
Foi a minha vez de bufar enquanto passava os dedos pelos charutos cubanos Cohiba.
— Eu faço tudo que você manda chefe. Ah não ser quando estamos no meu território. A minha alma você ainda não comprou …
Escolhi dois charutos novinhos, levando os mesmos até o nariz e inspirando devagar. O cheiro era denso e quente, como madeira envelhecida misturada com terra úmida, algo levemente adocicado escondido por trás da força do tabaco. Havia um fundo amargo, quase picante, que arranhava de leve e deixava a sensação de perigo confortável — aquele tipo de aroma que não pede permissão para ficar.
Fechei os olhos por um segundo, deixando o perfume pesado dos Cohiba se espalhar, impregnando os pensamentos, me lembrando exatamente por que odiava aquilo tanto quanto eu gostava.
Era o cheiro de algo proibido.
E eu sempre tive um problema sério com limites.
— , por favor! — Ele pediu quando me viu acendendo-os.
— Careta demais senhor certinho. — Botei a língua para fora e então lhe entreguei um charuto, ficando com outro.
assistiu quando eu traguei a fumaça para dentro dos pulmões, soltando um gemido de satisfação logo em seguida.
— Você não cansa. Você é imparável, .
Eu ri com a constatação e me aproximei dele, devagar. Como um predador se aproxima de sua presa.
Eu parei a poucos centímetros dele.
A fumaça escapava devagar dos meus lábios, desenhando algo entre nós que parecia um aviso — ou uma provocação. Os olhos de estavam fixos em mim, atentos demais para alguém que dizia não ceder nunca.
— Imparável… — repeti, inclinando a cabeça, degustando a palavra. — Você fala isso como se fosse um defeito.
Ergui a mão livre, afastando a fumaça perto do rosto dele, lenta, calculada. Ele não recuou. Também não avançou. Era sempre assim: vivendo naquele limite frágil entre o certo e o que me envolvia.
— Você gosta de testar até onde pode ir — ele disse, a voz baixa, cansada… e perigosamente sincera.
Sorri.
— Não. — Dei mais um passo, invadindo o espaço que ele insistia em fingir que não importava. — Eu gosto de ver até onde você aguenta.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Denso como o cheiro do charuto. Como tudo o que a gente nunca dizia em voz alta.
E, naquele instante, eu soube: não era só a minha imagem que estava em risco ali.
Era o controle dele.
Eu vi o momento exato em que ele perdeu a postura.
Não foi quando me aproximei. Nem quando a fumaça ficou entre nós. Foi quando sorri.
fechou os olhos por um segundo, como se estivesse contando até dez. Quando abriu, já não havia paciência ali. Só decisão.
— Chega. — A voz saiu firme demais para alguém que estava à beira do colapso.
Ele deu um passo à frente, arrancando o charuto da minha mão sem delicadeza e largando-o longe, como se fosse o culpado de tudo. Antes que eu pudesse provocar de novo, segurou meu pulso.
Não forte. Definitivo.
— Você acha que eu não vejo? — disse, baixo, tenso, cada palavra controlada à força. — A forma como você se coloca em risco. Como brinca com tudo… comigo.
Meu sorriso vacilou. Só um pouco.
— Você não é paga pra se importar — provoquei, mas já não soava tão segura.
Foi aí que ele perdeu de vez.
soltou uma risada curta, sem humor algum, passando a mão pelos cabelos como quem já tinha desistido de manter qualquer fachada.
— Eu tento te proteger todo santo dia, . E você faz parecer que é um jogo. — Os olhos dele estavam escuros, intensos. — Você não tem ideia do quanto isso me custa.
O silêncio caiu pesado entre nós.
Meu pulso ainda preso ao dele. O coração batendo rápido demais.
— Então para — sussurrei.
Ele se aproximou mais um pouco, a voz falhando pela primeira vez naquela noite.
— Eu não consigo.
E ali, naquele segundo, eu soube: não era mais eu quem estava no controle.
“Baby, keep loving me
Just love me, yeah
Just love me
All you need to do is love me, yeah”
Eu não pensei e nem dei tempo para ele pensar.
Usei o pulso ainda preso à mão dele para puxá-lo de volta, o movimento rápido, quase desesperado. soltou meu braço no mesmo instante, como se tivesse levado um choque — tarde demais.
— … — ele começou, mas o nome morreu quando nossos lábios se encontraram.
Esse beijo não teve aviso.
Foi fome. Foi raiva. Foi tudo o que ele vinha engolindo desde sempre. Nossas bocas se chocaram sem cuidado algum, como se a urgência tivesse vencido o medo. Senti a respiração dele falhar contra a minha, senti a mão dele subir automaticamente para minha cintura… e parar no meio do caminho.
Hesitação.
— Não — ele murmurou contra meus lábios, mas não se afastou.
Então eu o beijei de novo.
Mais forte. Mais confuso. Como se quisesse calar qualquer bom senso que ainda restasse. perdeu o pouco equilíbrio que mantinha, recuando até encostar as costas na parede — invertendo tudo, como sempre fazia quando se tratava de mim.
O beijo ficou torto, quente, desajeitado demais para ser planejado. Era controle se desfazendo em tempo real. Quando ele finalmente correspondeu, foi como se tivesse parado de lutar contra si mesmo.
Só por aquele instante.
Quando nos afastamos, as testas ainda encostadas, a respiração pesada entre nós, eu soube: aquilo não era recaída.
Era escolha.
E estava completamente consciente do erro que estava cometendo.
Mesmo assim… não soltou a minha cintura.
Nossos lábios voltaram a se encontrar, como se estivessem em chamas, e cegamente nos deixamos caminhar pelo corredor que levaria até o meu quarto.
As mãos de agora subiam e desciam por toda a extensão das minhas costas, livres graças ao decote do vestido. As mãos dele sempre eram quentes, como se estivessem em brasa, e como fogo em gasolina, quando entravam em contato com a minha pele, incendiava tudo.
Desajeitadamente, com as mãos trêmulas eu comecei a desabotoar um a um dos botões da camisa social que ele usava, e não me impediu. Suas mãos foram direto para o zíper do vestido, abrindo-o completamente com apenas uma mão.
O tecido se juntou a camisa dele caída ao tapete do quarto, e me pus a explorar seus músculos. Primeiro os ombros, depois o peito, a barriga… as unhas arranhando, deixando marcar ali.
Seus olhos se fecharam sentindo a ardência que eu sabia que ele gostava, e então meus lábios foram de encontro à pele vermelha e quente dele. Minha língua traçou o mesmo caminho que minhas unhas e eu senti suas grandes mãos apertarem minha cintura com força, como se ele estivesse tentando se ancorar em mim enquanto o corpo começava a vacilar.
Quando encostei meus seios nus em seu peito eu o ouvi arfar pelo contato.
— Parece que aqui, quem manda não é você, chefe.
— … — meu nome soou como um aviso tardio. — Você não faz ideia do quanto isso é errado pra mim.
— E mesmo assim você não quer parar… — Sorri contra a pele do pescoço dele, deixando minha língua trabalhar por toda extensão, sentindo o corpo dele arrepiar.
Antes que eu pudesse raciocinar, eu já estava com as costas contra o lençol macio da cama, e já se livrava das calças e da cueca. Deixando o membro rosado e duro, completamente exposto aos meus olhos.
Quando ele se ajoelhou na cama, eu fiz o mesmo. Levei as mãos até o membro rijo dele e fechei os olhos, sentindo a textura macia sob minhas palmas. Um gemido baixo saiu dos meus lábios quando comecei a masturbá-lo, bem lentamente. Provocar era um sabor a parte.
Uma de suas mãos segurou meus pulsos e ele começou a ditar o ritmo, foi quando nossos lábios se juntaram novamente, e o beijo só era interrompido quando ele gemia ou rosnava baixinho alguma coisa incompreensível.
Eu sentia cada pedacinho dele desmoronar, cada tentativa falha de assumir o controle, cada suspiro entrecortado que parecia dizer “você não pode fazer isso comigo”, sentia o membro dele pulsar em minha boca de prazer, especialmente quando eu demorava um pouco mais na cabeça lambuzada de pré-gozo. Sentir me preencher era quase o ápice, eu sempre quase chegava lá enquanto o chupava.
As mãos dele estavam presas em meus cabelos e ele tentava tomar o controle, mas o prazer proporcionado por mim o deixava débil, e então eu assumia o controle.
Eu adorava saber que ali, ele não era meu chefe, ele não controlava cada passo meu… ali ele era meu. Da cabeça aos pés.
Quando ele estava prestes a chegar lá, subi meus lábios quentes por sua barriga e peito e então nos beijamos novamente.
Quando meus lábios encontraram os dele outra vez, o beijo não foi urgente como antes.
Foi profundo.
Lento no primeiro segundo, como se estivéssemos reconhecendo o terreno depois de cruzar um limite invisível. A boca dele se moldou à minha com uma precisão que contrastava com o caos de minutos atrás, e eu senti o mundo inteiro diminuir até restar só aquilo — o calor, o contato, a respiração dele misturada à minha.
segurou meu rosto com cuidado inesperado, como se aquele beijo fosse frágil demais para ser tratado com pressa. Mas a calma não durou. O beijo ganhou peso, intensidade, como uma chama que se espalha sem fazer barulho, mas queima por dentro.
Era um beijo que dizia “fica” e “para” ao mesmo tempo. Que misturava desejo com medo. Que não prometia nada… e ainda assim exigia tudo.
E quando nos afastamos só o suficiente para respirar, eu soube: não era o corpo que estava tremendo.
Era a decisão que nenhum dos dois queria tomar.
Enlacei as pernas em volta da cintura de e me permiti descer lentamente pelo membro quente dele, enquanto suas mãos seguravam firmemente meus quadris. Nós dois gememos juntos, as bocas grudadas uma na outra, mas ele não me beijava. Não ainda.
Minhas unhas cravaram seus ombros assim que eu estava completamente cheia dele, e pude ouvi-lo choramingar algo sem sentido enquanto me deixava acostumar com seu tamanho. Assim que comecei a me movimentar sobre ele foi como se finalmente eu estivesse completa.
As mãos firmes dele em meus quadris não eram exigentes, não demandavam o ritmo, ele deixava que o meu corpo ditasse como queria. E assim eu o fiz, subindo e descendo lentamente, sentindo-o crescer cada vez mais conforme eu descia e subia.
O membro dele pulsava dentro de mim, especialmente quando minha intimidade o apertava conforme o prazer entre nós dóis aumentava. Os gemidos se misturavam, ele deixava beijos ofegantes e lentos em minha boca, pescoço, testa.
Os movimentos aumentaram de ritmo, minhas unhas cravaram em suas costas com força, eu tinha a cabeça tombada para trás, os lábios de tomavam meus seios, ora o direito, ora o esquerdo, meu corpo arfava de prazer, gemia entre meus seios.
O prazer crescia entre nós dois conforme eu subia e descia, sentir me preenchendo por completo sempre era uma sensação nova, não importa quantas vezes fazíamos aquilo.
— … — Ele pronunciou meu nome enquanto segurava meu rosto entre as mãos. — …
Os olhos dele se fecharam conforme o nó no meu estômago também apertava e então juntos atingimos o orgasmo, arrebatador. Meu corpo tremia sobre o dele, e suas mãos apertavam meus quadris. O gemido rouco ao pé do meu ouvido ia diminuindo, conforme nossas respirações ficaram ofegantes.
“Got me like, oh-oh-oh-ow
I'm tired of being played like a violin
What do I gotta do to get in
Your motherfucking heart?”
Enquanto ele se vestia em silêncio, eu fumava outro charuto. Meus olhos já cheios de lágrimas, passeavam por seu corpo ainda exposto.
— Precisamos fazer um limpa no seu camarim na empresa. Tirar aquelas garrafas de lá, tirar toda aquela maconha… estamos brincando com fogo, esse tipo de limpeza não pode ser adiado.
Fechei meus olhos com força, deixando duas lágrimas teimosas escorrerem pelo meu rosto. A maquiagem já estava borrada pelo sexo mesmo.
— Preciso mesmo é fazer um limpa aqui dentro. — Apontei para meu peito. — Tá cheio de lixo.
parou os movimentos assim que abotoou o botão da calça social. Eu sentia os olhos dele queimando minha pele mesmo que eu não olhasse diretamente.
— O que você disse?
Eu apenas balancei a cabeça em negativo. Eu me recusava a repetir em voz alta.
— Aqui você não é a porra do meu manger, . Você acabou de transar comigo! Porque a gente não pode simplesmente agir como uma casal normal depois do sexo?
— Porque não somos um casal normal ! Eu sou seu chefe, e você precisa se acostumar com isso…
As palavras dele bateram mais forte do que qualquer tapa. Chefe.
Ri. Um riso curto, quebrado, que não tinha graça nenhuma. Levei o charuto à boca só para ter algo ocupando minhas mãos, qualquer coisa que me impedisse de implodir ali mesmo.
— Engraçado — murmurei, a voz falhando apesar do esforço. — Na hora que você me tocou, isso não parecia importar tanto.
respirou fundo, como se estivesse se preparando para uma reunião difícil. Como se eu fosse mais um problema na agenda.
— Não mistura as coisas, .
Foi aí que eu perdi.
— Eu sou as coisas misturadas, ! — levantei, sentindo o chão gelado sob os pés, o peito apertado demais. — Você entra na minha casa, no meu corpo, na minha cabeça… e depois aperta o botão e vira o profissional responsável?
Ele desviou o olhar por um segundo. Só um. E aquilo doeu mais do que se tivesse me encarado.
— Isso não é justo — disse, finalmente. — Nem pra você. Nem pra mim.
Balancei a cabeça, sentindo mais lágrimas caírem, quentes, teimosas.
— Justo teria sido você ir embora antes. — Minha voz saiu baixa, cansada. — Ou ficar depois.
O silêncio que se seguiu foi pesado, definitivo. pegou o paletó, passando-o pelo braço com cuidado excessivo, como se cada gesto fosse uma forma de se recompor.
— A gente vai fingir que isso não aconteceu — ele disse. Não como pergunta. Como sentença.
Assenti devagar.
Porque era isso que eu sempre fazia quando alguém escolhia ir embora primeiro.
E quando a porta se fechou atrás dele, eu soube: não tinha sido só o quarto que ficou vazio.
Foi o lugar que eu, idiota, achei que ocupava no coração dele.
“Must be love on the brain
That's got me feeling this way (feeling this way)
It beats me black and blue, but it fucks me so good
And I can't get enough
Must be love on the brain, yeah
And it keeps cursing my name (cursing my name)
No matter what I do, I'm no good without you
Must be love on the brain”
— … — O nome dele saiu sôfrego dos meus lábios, e eu reprimi o próximo gemido.
As cortinas fechadas da sala dele eram a única testemunha naquela hora da noite. Minhas pernas entrelaçadas à cintura dele com força denunciavam que eu buscava me ancorar enquanto ele estocava com força, o rosto envolvido no meu pescoço, sentindo meu cheiro. Ele entrava e saia, entrava e saia, beijava meu pescoço, suspirava pesado, ronronava coisas sem sentido, fazendo o meu prazer aumentar.
A cada estocada eu sentia meu corpo ruir, minhas pernas tremerem, minhas mãos buscavam apoio na mesa de vidro dele, como se a qualquer momento eu pudesse desmaiar.
— Porque você me fode tão bem? Você me come como ninguém mais…
— E você tem dado essa boceta para outro cara, ? — Ele segurou meus cabelos com força, me forçando a abrir os olhos e encará-lo. — Você é minha, entendeu? Só minha, .
Os lábios dele me devoraram, com fome, como se cada segundo longe tivesse virado urgência acumulada. Não foi um beijo cuidadoso — foi quente, aberto, desesperado demais para fingir controle. Senti o peso da boca dele sobre a minha, a forma como ele me puxou para mais perto, como se precisasse me sentir inteira para não se perder.
Nossas respirações se misturaram rápido, irregulares, e o beijo ficou mais profundo, mais lento e ao mesmo tempo mais intenso, como se ele estivesse tentando gravar aquele momento em mim. beijava como quem não queria pedir permissão, mas também não queria soltar. Como se estivesse dividido entre parar… e ir até o fim.
Havia algo quase doloroso ali. Desejo demais. Palavras de menos.
Quando ele finalmente se afastou só o suficiente para respirar, a testa ainda encostada na minha, eu soube: aquele beijo não era só vontade.
Era falta. Era medo. Era tudo o que ele se recusava a admitir em voz alta…
As estocadas foram ficando mais ritmadas, mais precisas, até mais agressivas eu poderia dizer. Como se ele quisesse confirmar, enquanto entrava e saia de mim, que eu era mesmo dele e de mais ninguém.
Quando o orgamo nos atingiu, ele me abraçou pela primeira vez em anos. E eu o abracei de volta, mesmo com nossas respirações ofegantes.
Nossos olhos se encontraram, a testa dele encostando na minha.
— Eu acho que amo você … — pausei por alguns segundos, vendo os olhos dele se arregalaram de pura surpresa. — E não, você não precisa dizer que me ama de volta, porque eu sei que não.
Meus olhos ficaram cheios de água, e eu segurei o rosto dele entre as mãos, com força, com desespero, com amor.
— Você me tem nas mãos, como e onde você quiser, e eu tenho medo que isso nunca passe,. Que eu nunca deixe de amar você. Droga! Você está impregnado no meu cérebro. O que eu faço?
— Acho que no final, esse era o meu maior medo! — Senti a voz dele vacilar, como se ele estivesse pisando em ovos, e não pudesse dizer aquilo em voz alta. Não para mim.
— Como assim?
— Estar com você e gostar disso… — ele engoliu em seco, o olhar fugindo do meu por um instante antes de voltar, cru, exposto. — Porque eu sei exatamente onde isso termina.
Meu coração apertou.
— Termina onde? — sussurrei.
fechou os olhos, como se dizer aquilo em voz alta fosse finalmente admitir a derrota.
— Em eu querendo ficar. — A voz saiu baixa, quase quebrada. — E eu não posso. Não do jeito que você merece. Não do jeito que eu sei que você espera.
Minhas mãos ainda seguravam o rosto dele, mas agora tremiam.
— Então por que você fica? — perguntei, a dor escorrendo junto com as palavras.
Ele encostou a testa na minha outra vez, respirando fundo, como se estivesse tentando se recompor por dentro.
— Porque quando estou com você, … — uma pausa longa, pesada. — Tudo o que eu construí pra me proteger simplesmente desmorona.
E ali eu entendi.
O medo dele não era me amar. Era não conseguir parar depois.
Ele não completou a frase.
E talvez nem precisasse.
Ficamos assim por alguns segundos que pareceram longos demais, presos naquele espaço frágil onde tudo podia virar promessa ou despedida. As mãos dele ainda em mim, mas o corpo já distante. Como se estivesse ali só pela memória do que acabara de acontecer.
foi o primeiro a se afastar. Não de uma vez — devagar, cuidadoso, como quem solta algo que sabe que vai sentir falta no instante seguinte. Pegou o paletó, passou pelos ombros, e por um momento voltou a ser exatamente quem sempre foi. O meu chefe. O homem impossível. O amor que escolhe não ficar.
— A gente vai ficar bem — ele disse, sem convicção suficiente para me enganar.
Assenti, porque era mais fácil do que pedir para ele ficar.
Quando a porta se fechou atrás dele, a casa pareceu grande demais. Silenciosa demais. Levei a mão ao peito, sentindo o coração bater fora de ritmo, ainda quente, ainda preso a alguém que já não estava ali.
Talvez aquilo fosse amor. Talvez fosse só fogo demais em mãos erradas.
Eu nunca soube distinguir muito bem.
E enquanto a madrugada avançava lá fora, fiquei ali, com tudo o que não foi dito pairando no ar — esperando, ou aprendendo, ou apenas sentindo.
Porque algumas histórias não terminam.
Elas só… continuam.
FIM!!!
Encontrou algum erro de script na história? Me mande um e-mail ou entre em contato com o CAA.
Nota da autora: Finais abertos? Por aqui nós fazemos com frequência haha